Serpa, rua da Fonte Santa, junho/1940, 16.30h. O calor é muito, como é costume nesta época. Ana Isabel está prestes a dar à luz o segundo filho. Será rapaz ou rapariga ? Nessa época só se sabia quando as partes nobres estivessem à vista. Onze meses antes, ela já parira uma rapariga, Hermínia Augusta, a 9 de julho, nessa mesma casa, também com muito calor e assistida pelo mesmo parteiro, dr. Castela, médico competente, a quem, lá em casa, não sei bem porquê, toda a família tratava por compadre Castela. A camioneta da carreira que vinha de Beja estava a passar. A Negrita, cadela perdigueira, companheira de caça de Luís Lobo, marido da Ana Isabel e progenitor da já nascida e do que estava para nascer, latia como que adivinhando que qualquer coisa de importante estava a acontecer.
Ana, rapariga a deitar assim para o forte, bem se esforçava para completar a nobre tarefa, mas o tipo que estava para nascer, parecia não querer colaborar. Compadre Castela bem a incitava, acompanhando os incitamentos com alguns cálices de vinho do porto que ia repartindo com a parturiente. Parece que, pela largura dos ombros, deveria ser um moço. E, assim foi de facto. Nasceu um rapagão a quem foi dado o nome de Luís Filipe, que ainda hoje, passados 70 anos, por aqui anda, para alegria e felicidade de muitos e indiferente aos outros. Bem hajam Ana e Luís ! Gostei muito de ter nascido, sou um homem feliz.
Sines /2010.
“Eu não sou eu nem sou o outro, Sou qualquer coisa de intermédio: Pilar da ponte de tédio Que vai de mim para o Outro.” De MÁRIO DE SÁ CARNEIRO
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