domingo, 16 de agosto de 2009

A INSTRUÇÃO EM SERPA


A INSTRUÇÃO EM SERPA

De um folheto impresso na officina de Antonio Rodrigues Galhardo em 1773 e que tem o seguinte titulo:
«Lista dos professores regios, de filozofia racional; rhetorica; lingua grega; e grammatica latina; e dos mestres de ler, escrever e contar, despachados por rezolução de S. Magestade de 10 de novembro deste prezente anno de 1773, em consulta da Real Mesa Censoria de outo do mesmo mez e anno.»*
Nota de José Bentes Saião nomeado professor de grammatica latina em Serpa.
Além d'este possuia a comarca de Beja mais dois professores de grammatica latina, um em Beja e outro em Moura, um professor de grego, um de rhetorica e outro de philosofia racional. Este ultimo professor chamava-se Manuel de Jesus Saião, parecendo pelo seu appelido ser parente do professor de Serpa.
No emtanto havia só tres professores de ler, escrever e contar; dois residentes em Beja e um em Moura.
O Marquez de Pombal tinha com as suas reformas de instrução por fim aniquilar o espirito jesuítico; hoje as nossas reformas nenhum objecto teem em vista que não seja o cuidado material dos professores, na maior parte agentes eleitoraes ou protegidos destes.
Depois da queda do Marquez de Pombal houve largas mudanças. Em 1779 imprimiu-se em Lisboa na Officina Luisiana um folheto com o seguinte titulo:
«Lista das terras, conventos, e pessoas destinadas para professores de philosofia racional, rhetorica, lingua grega, grammatica latina, desenho, mestres de ler, escrever e contar como tambem de aposentados nas suas respectivas cadeiras, tudo por resolução real de S. Magestade de 16 de Agosto do presente anno de 1779, tomada em consulta da Real Meza Censoria de 12 de Janeiro de 1778»*
Nesta lista tem sete povoações da comarca de Beja outros tantos professores de grammatica latina. Entre esses se conta ainda em Serpa José Bentes Saião. O ensino da leitura era ministrado por 16 professores ou institutos religiosos. Em Serpa coube este ensino ao Convento dos religiosos eremitas de S. Paulo. É certo que presentemente ainda não há em Portugal ou não foi restabelecido, o ensino official exercido pelas congregações religiosas, no entanto em 1901 foi garantida a existencia no Paiz dos estabelecimemtos monasticos que se dediquem ao ensino. Gradualmente, como se fosse resultado d'um plano previamente concebido, tem ido renascendo modernamente todas as instituições (compativeis com o progresso feito) que tornaran antipathica a antiga monarchia.
(TRADIÇÃO - 1902)
(

O LOBO E O CÃO (de Olavo Blilac)


O lobo e o cão

Olavo Bilac


Encontraram-se na estrada
um cão e um lobo. E este disse:
– Que sorte amaldiçoada!
Feliz seria, se um dia
como te vejo me visse.
Andas gordo e bem tratado,
vendes saúde e alegria;
ando triste e arrepiado,
sem ter onde cair morto!
Gozas de todo conforto,
e estás cada vez mais moço;
e eu, para matar fome,
nem acho às vezes um osso!
Esta vida me consome…
Dize-me tu, companheiro:
onde achas tanto dinheiro?
Disse-lhe o cão: — Lobo amigo!
Serás feliz, se quiseres
Deixar tudo e vir comigo:
vives assim porque queres…
Terás comida à vontade,
terás afeto e carinho,
mimos e felicidade,
na boa casa em que vivo!
Foram-se os dois. Em caminho,
disse o lobo, interessado:
– Que diabo é isto? Por que motivo
tens o pescoço esfolado?
– É que às vezes amarrado
Me deixam durante o dia…
– Amarrado? Adeus, amigo!
(disse o lobo) Não te sigo!
Muito bem me parecia
Que era demais a riqueza…
Adeus! Inveja não sinto:
quero viver como vivo!
Deixa-me com a pobreza!
Antes livre, mas faminto,
Do que gordo, mas cativo!

PRIMEIRA MISSA EM SOLO BRASILEIRO



PRIMEIRA MISSA NO BRASIL

Na terra amanhecida,
entre as ondas a rir jubilosas de luz
e as árvores em flor, se ergue a árvore da Vida –
a Cruz.


Entre os tupis a marujada ajoelha.


Uma legião de beija-flores passarinha.



Então “no ilhéu chamado a Coroa Vermelha”
Frei Henrique de Coimbra se aparelha
e em paramentos de ouro beija o altar…


A alma argentina de uma campainha
se une aos gorjeios da manhã solar.


Junto aos altos pendões do palmar nunca visto
treme um pendão mais alto, o estandarte de Cristo.


Longe um som de clarim morre em glória no ar.


As resinas do mato, onde em onde,
erguem incenso
turibulando pelos troncos bons.



Frei Henrique celebra e é Deus quem lhe responde
na voz do oceano, seu harmônio imenso,
rolando ao longe um turbilhão de sons.


As campânulas trêmulas nos galhos
tlintam à brisa
sua matina aos pingos dos orvalhos;
e a várzea que se irisa
oferenda ao Senhor
nas passifloras roxas os martírios
e na água em sono as ânforas dos lírios…
Há um repousório em cada moita em flor.


São candelabros de ouro os ipês flamejantes!
E ascenderam ao sol corolas delirantes
como se fossem círios
em louvor.


Quando a hóstia se eleva angelical
sobe com ela o sol no firmamento.


As borboletas – que deslumbramento! –
com os tucanos e arás de tom violento
pintam no azul policromias vitral…


Canta a araponga na floresta longa
como um sino a tanger, dominical.


As naus florem de branco o deserto marinho.
Lembram virgens trazendo, em túnicas de linho,
na alva das velas uma cruz cristã;
e a patena dos sol as consagrou com o vinho
aéreo da manhã.


Oh hora ingênua da Fé! Oh primeiro evangelho!
Pero Vaz escreveu que “um índio já bem velho
apontou para a cruz…” Oh gesto anunciador!


Cabral e os que domaram os sete mares
Unem as mãos tremendo de fervor.


E na luz recém-vinda
em bênçãos tutelares,
a terra em flor se alegra em jubileus…
“a terra graciosa” e tão nova e tão linda! –
a terra desde então desposada de Deus.


Em : Poemas Completos de Murillo (1894-1980)

sábado, 15 de agosto de 2009

SEGUNDA FEIRA




DECIMAS

Vou á ceifa p'ró verão,
Á vindima e azeitona,
Que eu não sou «Senhora Dona»
Nem mulher de estimação.

Quem de mim faz mangação,
Quem de mim faz chalaça,
Deus lhe dê memória e graça,
Luz e muito entendimento,
Que eu ganho para o meu sustento,
E sem comer ninguem passa.

O pedir ninguem extranha,
Porque vem da antiguidade,
Pedir por necessidade,
Ou por devoção ou manha...
Se um homem se desacanha
A pedir a um e outro,
Sempre alcança muito ou pouco;
As esmolas não dão calmas...
Quantos pedem para as almas,
P'ra sustento do seu corpo !

É muito fácil cahir
O ceu todo aos bocadinhos,
Choverem mós de moinhos
E um mosquito as engulir;
Uma só mosca parir
Quatrocentas mil barracas,
Os mortos virem dar sécca
Aos que ainda hão de nascer...
Então poderão dizer
«Ser Jesus Christo que peca»

Virgem da Consolação,
De S. Paulo padroeira,
Hoje em dia Serpa inteira
Com ella tem devoção;
Com muita satisfação
No seu dia é festejada,
Da nobreza acompanhada
Com gloria e com prazer;
Tem sido sempre e há-de ser
De Deus muito abençoada.

Oh! Virgem Santa Maria!
Oh! Virgem Imaculada!
Virgem que foste sagrada,
Mais pura qu luz do dia!
Bem haja a Ave-Maria
Que alumia o vosso ventre!
Mas eu, como penitente,
Confessei o meu pecado;
Já Deus me tem perdoado
Na gloria eternamente.


(Da tradição oral da villa de Serpa)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

À SENHORA DA GUADALUPE-Serpa


ORAÇÃO Á SENHORA DA GUADALUPE






Virgem-Mãe da Guadalupe,


Minha mãe minha madrinha !


Se o meu bem vai ser soldado,


Oh que desgraça é a minha






Virgem-Mãe da Guadalupe,


Minha mãe minha comadre !


'Stá sempre pedindo a Deus


P´ra que o mundo não acabe !






Virgem-Mãe da Guadalupe,


Que está na vossa ladeira !


Quem me dera ver meu bem


De resalva na algibeira !






Virgem-Mãe da Guadalupe,


Tem uma fita amarella


Que lhe deram os soldados


Quando vieram da guerra.






Virgem-Mãe da Guadalupe,


Onde tindel-a a ermida ?


Entre Serpa e o Pechoto *


Nésses olivaes mettida !






Virgem-Mãe da Guadalupe,


Quer-lhe pedir uma cousa,


O meu bem vae ao exame,


Que não traga a raposa !


* - Denomina-se Pechôto uma das vastas herdades que n'esta villa possue o Senhor Conde de Ficalho

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

LOS POETAS ANDALUCES

Qué cantan los poetas andaluces de ahora?Qué miran los poetas andaluces de ahora?Qué sienten los poetas andaluces de ahora?
Cantan con voz de hombre, pero donde están los hombres?Miran con ojos de hombre, pero donde los hombres?Sienten con pecho de hombre, pero donde los hombres?
Cantan, y cuando cantan parece que están solos.Miran, y cuando miran parece que están solos.Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

Belo... de arrepiar por dentro.

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SINES, ALENTEJO - SERPA, Portugal
“Eu não sou eu nem sou o outro, Sou qualquer coisa de intermédio: Pilar da ponte de tédio Que vai de mim para o Outro.”