“Eu não sou eu nem sou o outro, Sou qualquer coisa de intermédio: Pilar da ponte de tédio Que vai de mim para o Outro.” De MÁRIO DE SÁ CARNEIRO
sábado, 31 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
POEMAS DE MEU AVÔ-NOVENA DO LAVRADOR
MUSICA DO CAMPO
São as aves com seus trinos
que encantam a sementeira
suavisam a canseira
com seus variados hinos.
De manhã a cotovia
é o toque de alvorada,
a calhandra namorada
gorgeia durante o dia.
Depois à tarde ao sol-pôr
pintassilgo e verdelhão
entoam com mais ardor,
argumentam com paixão.
O rouxinol com amor
faz á noite a oração
Retorta-8-XI-1925
Leopoldo Parreira
domingo, 18 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
POEMA DO BARÃO DE PINDARÉ JR.
D.JOÃO VI
Poema do Barão de Pindaré Jr.*
Não tomava banho e fedia a alho
e cebola e as ceroulas ferviam
nas tardes tórridas
de sua Quinta,
sexta, sábado e domingo.
Era o VI,
o sétimo dia
sem banho,
meu nobre João,
rei expatriado,
sentado em seu trono
de vários continentes.
Entrementes,
ardia e todo mundo sabia
de suas manhas
para fugir dos asseios
quando então
construíram em São Cristóvão,
por artimanhas de médico
e curandeiro,
uma Casa de Banhos
- aromáticos, profiláticos -
em que metia suas banhas.
Dom João VI inaugurou
nosso primeiro spa,
entre outros incontestes
pioneirismos.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
POEMAS ERÓTICOS DE DRUMMOND DE ANDRADE

Bundamel Bundalis Bundacor Bundamor
Bundamel Bundalis Bundacor Bundamor
bundalei bundalor bundanil bundapão
bunda de mil versões, pluribunda unibunda
bunda em flor, bunda em al
bunda lunar e sol
bundarrabil
Bunda maga e plural, bunda além do irreal
arquibunda selada em pauta de hermetismo
opalescente bun
incandescente bun
meigo favo escondido em tufos tenebrosos
a que não chega o enxofre da lascívia
e onde
a global palidez de zonas hiperbóreas
concentra a música incessante
do girabundo cósmico.
Bundaril bundilim bunda mais do que bunda
bunda mutante/renovante
que ao número acrescenta uma nova harmonia.
Vai seguindo e cantando e envolvendo de espasmo
o arco de triunfo, a ponte de suspiros
a torre de suicídio, a morte do Arpoador
bunditálix, bundífoda
bundamor bundamor bundamor bundamor.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
RECORDAÇÕES DE UM BURRO

Recordações de um burro
Aquele burro velhote
Recordava a pouca sorte
Que teve na mocidade,
Foi sempre um burro de carga
Numa vida tão amarga
Que não lhe deixou saudade.
Sempre de albarda em cima
Sem amizade nem estima
Um viver amargurado
Nunca teve o prazer
Nunca chegou a saber
O que era uma dia feriado.
Trabalhava sem parar
E nem podia zurrar,
Que lhe era proibido
Nem lá na sua cabana
Podia zurrar com gana
Com medo de ser ouvido.
Detestava o cabrestão
Que lhe tirava a visão
Para a esquerda e prá direita
Só podia ver em frente
E pra ele realmente
Era uma coisa mal feita.
Ao ver tanta maldade,
Ás vezes tinha vontade
De dar um coice ao patrão,
Mas, ao levantar a pata,
Levava com a arreata
E tinha de a pôr no chão.
O que mais lhe custava
Que mais o arreliava
E achava que era demais
Era ter de a qualquer hora
Andar tirando água à nora
Para os outros animais.
E ele o pobre burro,
Com medo de armar esturro
E ter um mau resultado,
Com prazer ou sem prazer
Lá ia tentando ser
Um burro bem comportado.
E quando era preciso
Também abanava o guiso
Disfarçava arrelias
E carregava a golpelha
Sacudia a orelha
Á espera de melhores dias.
E quando chegou o dia
Em que ele já podia
Zurrar à sua vontade
Aquele pobre coitado
Viu que já tinha passado
A sua melhor idade.
E assim o burro velhote
Que já está perto da morte
Ainda vai recordando
Uma vida pobre e tosca
Enquanto sacode a mosca
Que no lombo o vai picando.
De: Rosa Helena Moita
Natural de Beringel
Aquele burro velhote
Recordava a pouca sorte
Que teve na mocidade,
Foi sempre um burro de carga
Numa vida tão amarga
Que não lhe deixou saudade.
Sempre de albarda em cima
Sem amizade nem estima
Um viver amargurado
Nunca teve o prazer
Nunca chegou a saber
O que era uma dia feriado.
Trabalhava sem parar
E nem podia zurrar,
Que lhe era proibido
Nem lá na sua cabana
Podia zurrar com gana
Com medo de ser ouvido.
Detestava o cabrestão
Que lhe tirava a visão
Para a esquerda e prá direita
Só podia ver em frente
E pra ele realmente
Era uma coisa mal feita.
Ao ver tanta maldade,
Ás vezes tinha vontade
De dar um coice ao patrão,
Mas, ao levantar a pata,
Levava com a arreata
E tinha de a pôr no chão.
O que mais lhe custava
Que mais o arreliava
E achava que era demais
Era ter de a qualquer hora
Andar tirando água à nora
Para os outros animais.
E ele o pobre burro,
Com medo de armar esturro
E ter um mau resultado,
Com prazer ou sem prazer
Lá ia tentando ser
Um burro bem comportado.
E quando era preciso
Também abanava o guiso
Disfarçava arrelias
E carregava a golpelha
Sacudia a orelha
Á espera de melhores dias.
E quando chegou o dia
Em que ele já podia
Zurrar à sua vontade
Aquele pobre coitado
Viu que já tinha passado
A sua melhor idade.
E assim o burro velhote
Que já está perto da morte
Ainda vai recordando
Uma vida pobre e tosca
Enquanto sacode a mosca
Que no lombo o vai picando.
De: Rosa Helena Moita
Natural de Beringel
ÁRVORES DO ALENTEJO-FLORBELA ESPANCA

Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a benção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Escrito por Florbela Espanca
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a benção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Escrito por Florbela Espanca
sábado, 3 de outubro de 2009
A BELA SAMARITANA

Dos amores do Redentor
Não reza a História Sagrada
Mas diz uma lenda encantada
Que o Bom Jesus sofreu de amor.
Sofreu consigo e calou
Sua paixão divinal,
Assim como qualquer mortal
Que um dia de amor palpitou.
Samaritana,
Plebeia de Sicar,
Alguém espreitando
Te viu Jesus beijar
De tarde quando
Foste encontrá-Lo só,
Morto de sede
Junto à fonte de Jacob.
E tu, risonha, acolheste
O beijo que te encantou,
Serena, empalideceste
E Jesus Cristo corou.
Corou por ver quanta luz
Irradiava da tua fronte,
Quando disseste: - Ó Meu Jesus,
Que bem eu fiz, Senhor, em vir à fonte.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
HARMONIA

Guilherme de Almeida
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Harmonia Velha
O teu beijo resume
Todas as sensações dos meus sentidos
A cor, o gosto, o tato, a música, o perfume
Dos teus lábios acesos e estendidos
Fazem a escala ardente com que acordas o fauno encantador
Que, na lira sensual de cinco cordas,
Tange a canção do amor!
E o tato mais vibrante,
O sabor mais sutil, a cor mais louca,
O perfume mais doido, o som mais provocante
Moram na flor triunfal da tua boca!
Flor que se olha, e ouve, e toca, e prova, e aspira;
Flor de alma, que é também
Um acorde em minha lira,
Que é meu mal e é meu bem...
Se uma emoção estranha
o gosto de uma fruta, a luz de um poente -
chega a mim, não sei de onde, e bruscamente ganha
qualquer sentido meu, é a ti somente
que ouço, ou aspiro, ou provo, ou toco, ou vejo...
E acabo de pensar
Que qualquer emoção vem de teu beijo
Que anda disperso no ar...
POEMA DE BRUNA LOMBARDI

Bruna Lombardi
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Uma Mulher
Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.
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