quarta-feira, 21 de outubro de 2009

POEMAS DE MEU AVÔ-NOVENA DO LAVRADOR

MUSICA DO CAMPO

São as aves com seus trinos

que encantam a sementeira

suavisam a canseira

com seus variados hinos.

De manhã a cotovia

é o toque de alvorada,

a calhandra namorada

gorgeia durante o dia.

Depois à tarde ao sol-pôr

pintassilgo e verdelhão

entoam com mais ardor,

argumentam com paixão.

O rouxinol com amor

faz á noite a oração

Retorta-8-XI-1925

Leopoldo Parreira

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

POEMA DO BARÃO DE PINDARÉ JR.



D.JOÃO VI


Poema do Barão de Pindaré Jr.*


Não tomava banho e fedia a alho
e cebola e as ceroulas ferviam
nas tardes tórridas
de sua Quinta,
sexta, sábado e domingo.

Era o VI,
o sétimo dia
sem banho,
meu nobre João,
rei expatriado,
sentado em seu trono
de vários continentes.

Entrementes,
ardia e todo mundo sabia
de suas manhas
para fugir dos asseios

quando então
construíram em São Cristóvão,
por artimanhas de médico
e curandeiro,
uma Casa de Banhos
- aromáticos, profiláticos -
em que metia suas banhas.

Dom João VI inaugurou
nosso primeiro spa,
entre outros incontestes
pioneirismos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

POEMAS ERÓTICOS DE DRUMMOND DE ANDRADE


Bundamel Bundalis Bundacor Bundamor





Bundamel Bundalis Bundacor Bundamor

bundalei bundalor bundanil bundapão

bunda de mil versões, pluribunda unibunda

bunda em flor, bunda em al

bunda lunar e sol

bundarrabil

Bunda maga e plural, bunda além do irreal

arquibunda selada em pauta de hermetismo

opalescente bun

incandescente bun

meigo favo escondido em tufos tenebrosos

a que não chega o enxofre da lascívia

e onde

a global palidez de zonas hiperbóreas

concentra a música incessante

do girabundo cósmico.

Bundaril bundilim bunda mais do que bunda

bunda mutante/renovante

que ao número acrescenta uma nova harmonia.

Vai seguindo e cantando e envolvendo de espasmo

o arco de triunfo, a ponte de suspiros

a torre de suicídio, a morte do Arpoador

bunditálix, bundífoda

bundamor bundamor bundamor bundamor.
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SINES, ALENTEJO - SERPA, Portugal
“Eu não sou eu nem sou o outro, Sou qualquer coisa de intermédio: Pilar da ponte de tédio Que vai de mim para o Outro.”